quarta-feira, 30 de junho de 2010

fluidez

Abraços, desafabos, carinho, cheiros, textura, lembrança, afeto, vontade, zelo, tesão e mais carinho. Tudo isso está dentro da gente, que cisma em não deixar extravasar. Quem disse que se entregar demais é perigoso? Perigo é sentir as horas passarem como ventos sem cor. Perigo maior é ver as pessoas passando por nós, como quando passam por avenidas engarrafadas. O esforço de uma contenção de sentimento me esfria, embaça. Faz lembrar um dia cinza, que não rega e também não ilumina. Faz pensar que o corpo não deve ser uma casca protetora, mas uma casa produtora de sentimentos naturais e naturalmente construídos a cada despertar para os outros e para si. Por que não soltar aquele "eu te amo"? Por que não escrever aquela declaração? Por que não sussurrar frases de amor? Cada palavra de beleza que recebo, transformo em vida e deixo percorrer por mim, como se fosse na veia. Na veia, amor. Na veia: amor.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

é difícil...

Penso muito na noite
Penso muito à noite
Penso na escuridão do céu
e mais ainda no breu da vida lá fora

Penso naqueles da esquina da rua
Penso no cão amigo e fiel,
que carinhosamente não os abandonam
Penso no meio tecido que ambos dividem
como fiéis companheiros de guerra

Penso no pão do dia-a-dia
e mais ainda na falta dele
Penso na fome, no frio, no arrepio...
na vida e na ferida!
...

O problema é que eu só penso.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

é bom ter você.

Fitar olhares e desfrutar vontades que nos são comuns. As horas passam como pétalas nas faces daqueles que amam. E a brisa constante da tarde rosada acende a pureza que temos em nós. Toda vez que o sol se põe, eu agradeço, em silêncio. Um silêncio cheio de sentido, que guarda na boca o doce da satisfação. A beleza do momento, fitada pelas retinas curiosas, foi guardada. A cada dia, ela vira flor dentro da gente. A primeira estrela da noite, a lua e suas fases, o quebrar das ondas, o sentir da maresia. A natureza na tela viva pulsante do dia-a-dia; A melodia que eu quero ter.
Mas, não só pelo pôr-do-sol, não pelos cantos dos passarinhos pousados nos fios intrometidos da cidade. Nada disso se faz eterno quando não se tem alguém pra dividir o sorriso do bem-viver.

Obrigada pela companhia!

terça-feira, 8 de junho de 2010

dança comigo?

O xote começa a ser tocado. A zabumba marcando, o triângulo calmo, o amor na sanfona. O casal, numa dança tímida ainda, se sente. O casal se percebe, se reconhece. A menina, nervosa, às vezes não acompanha a pisada ligeira do rapaz, que sorri a cada desencontro. Nesse momento, nada mais existia no mundo, apenas ele, ela, ele e ela. O coração acelera, a mão sua, as borboletas se despertam no estômago. Eles estavam se apaixonando, num vai-e-vem harmônico da dança florida e das almas coloridas.